DIA 02 – “UM CORAÇÃO CURADO”

SOLDADOS FERIDOS – 40 DIAS DE ORAÇÃO E JEJUM

2 Reis 5.1-19 narra uma história bem conhecida, a história de uma menina a qual Deus se reservou o direito de não registrar o nome nas escrituras. Uma menina que foi brutalmente retirada de sua terra para se tornar escrava em uma terra desconhecida. Uma menina que possivelmente viu seus pais e toda a sua família serem mortos em uma batalha cruel. Alguém que talvez tenha visto sua casa ser queimada injustamente. Uma menina que foi exposta a uma situação de dor, sofrimento e perdas irreparáveis. Essa menina tinha todas as razões do mundo para se tornar uma pessoa amargurada, ferida, vingativa e depressiva. No entanto, ao analisar as escrituras, observamos algo diferente: um coração curado.

Como lemos, a menina se tornou escrava da mulher de Naamã (justamente o responsável pela batalha que destruiu sua terra), e este general sofria de lepra. Ao perceber a dor daquela família, a menina não se conteve em abençoá-los. Ela poderia ter desejado a morte de Naamã, ela tinha esse direito. Mas o que encontramos nessa história é uma menina que abriu mão de seus direitos oferecendo uma oportunidade de cura e salvação para aquele general. Naamã vai a Israel e ali, através da instrumentalidade do profeta Eliseu, é curado! Naamã, que antes vivia uma vida de idolatria, alguém que não conhecia o Deus de Israel, agora pode declarar: “Sei que não há Deus em nenhum outro lugar, senão em Israel”. Por causa da atitude de uma menina, toda a Síria testemunhou sobre a existência de um Deus vivo e verdadeiro.

Quantas vezes somos tentados a reagir de forma equivalente a dor que sofremos? Tiago 1.19 diz: “(…) Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. Corações amargurados costumam transbordar amargura. Pessoas feridas costumam ferir a outros. É curioso pensar que essas mesmas pessoas são as que vivem à margem dos planos e propósitos de Deus. Quanto mais se justificam e buscam seus próprios interesses e direitos, mais distantes se encontram da cura e da vida plena que Deus tem para dar. Tornam-se pessoas frias, secas, amargas, sem autoridade espiritual, insensíveis e incapazes de refletir Jesus através das suas palavras e atitudes.

É preciso aprender a lidar com as feridas como Jesus, o Cordeiro de Deus. Discípulos com um coração manso, que abrem mão do que não podem segurar, para segurarem o que não podem perder. O Cordeiro de Deus, aquele que se calou diante dos seus tosquiadores (Is 53.7) e suportou a dor até o fim (Fp 2.8), foi o mesmo que recebeu autoridade de Leão da Tribo de Judá para nos tornar livres do domínio do pecado. Aquele homem que amou, que serviu, que lavou os pés inclusive daqueles que o iriam negar e trair, é o mesmo que hoje têm autoridade para salvar e transformar a vida do pecador.

Da mesma forma, Deus tem promessas para aqueles que sofrem perseguições, para os que hoje choram, para os que são caluniados e injustiçados por causa do Senhor. Deus não desampara ou se esquece daqueles que sofrem. Ele é o justo juiz que toma para si as nossas causas e nos dá a vitória. Não uma vitória que aniquila pessoas, mas uma vitória sobre nós mesmos, sobre nossos próprios sentimentos e dores. É preciso entender isso para que possamos agir como aquela menina e sermos agentes de cura e salvação para os que nos cercam.

Abra mão de você mesmo, dos seus direitos e do controle que te aprisiona – dando-lhe a sensação de ser “responsável” em resolver, na sua própria força, aquilo que um dia te feriu. Não seja manipulado pela sua dor, mas lance sobre a cruz os seus fardos pesados. Receba graça, cura e perdão e seja um canal para que aquilo que você recebeu do Senhor transborde sobre a vida daqueles que te cercam.

Há vidas ao seu redor que dependem do seu coração curado. Qual será a sua escolha?

Thiago Pires

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