DIA 25 “O EFEITO CONSTANTINO”

SOLDADOS FERIDOS – 40 DIAS DE ORAÇÃO E JEJUM

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco até a consumação dos séculos”. (Mateus 28.18-20)

Nesse texto, Jesus afirma que a igreja só será igreja se for missionária. Aqui está revelado que o sentido do cristianismo é ir, avançar e anunciar para todas as pessoas em todos os lugares da terra que Jesus Cristo é o Senhor. Somos vistos por Ele como servos missionários, livres e em movimento para que a missão seja realizada.

A igreja primitiva cresceu assim. As lutas, perseguições e debates internos proporcionaram as dispersões, as dispersões proporcionaram as missões, as missões proporcionaram conversões e as conversões proporcionaram novos obreiros. Antioquia é um clássico exemplo sobre isso.

Essa missão maravilhosa foi fortemente atacada quando o Imperador Constantino, no ano 325, passou a ser o “dono” da igreja. A pregação, o discipulado, a evangelização e a conversão foram atingidas em cheio. A figura do missionário perdeu o seu sentido original quando Constantino fez do cristianismo a religião oficial do estado Romano. Essa doutrina “constantiniana templocêntrica” foi a morte do missionário.

O doutrinamento impositivo passou a ser a realidade sobre todas as coisas. Ser um cristão passou a ser um bom negócio. A construção dos grandes templos passou a ser a marca do cristianismo no mundo. O “fazer discípulos” ficou esvaziado do seu sentido original. O templo cheio passou a ser a marca da religião oficial. Os valores foram invertidos de um modo absurdo. A institucionalização do movimento cristão fez a igreja se tornar um grande monumento. Constantino, com seu poder, aprisionou a missão cristã libertadora num documento de compra e venda registrado no seu cartório.

Hoje, a igreja que se diz fruto da reforma protestante age muito semelhante a Constantino. O missionário não recebe o apoio à altura da sua vocação e, com isso, convive com uma sobrecarga pesadíssima. Alguns são acusados pelas instituições de não terem o chamado e de agirem por impulso, mas o que tenho presenciado nesses trinta anos de ministério é um verdadeiro abandono por parte das matrizes

Hoje, temos pessoas maravilhosas de Deus tão feridas que não conseguem mais caminhar. Pessoas que deram os melhores anos das suas vidas para a missão e não foram cuidadas como deveriam. Nessa geração que visa resultados imediatos o tempo todo, o missionário que não produz os resultados esperados pela instituição é reprovado e deixado para trás. Temos muitos lares destruídos, muitos filhos revoltados, muitas histórias tristes, muitos erros que são frutos, na maioria das vezes, do desespero do obreiro.

Para falar sobre os missionários, devemos primeiramente levantar uma grande e saudável discussão sobre o modelo que prevalece na igreja institucional. E nesse âmbito, creio que ainda temos muita roupa suja para lavar.

Pr. Aramis Brito

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