ENTREVISTA: PR. FÉLIX ALBUQUERQUE

ENTREVISTA: PR. FÉLIX ALBUQUERQUE

Félix tem 40 anos, é Pastor, missionário e membro da Igreja Batista Boas Novas, em São Paulo. Félix foi a pessoa que, em 2012, apresentou a Amazônia e a causa ribeirinha para o Entre Jovens e, desde então, se tornou um amigo especial e parceiro deste Ministério. Nesta entrevista feita há algumas semanas atrás, Félix fala um pouco sobre seu chamado, sobre os ribeirinhos e sobre as últimas viagens que realizamos. Confira:

Como começou a sua história com a Amazônia e com a causa ribeirinha?
Eu morava em São Paulo quando tudo começou. Apesar de ser do Amazonas e conhecer bem a realidade dos ribeirinhos, não havia sido despertado para o trabalho missionário ou a causa ribeirinha. Em 2003 fiz uma viagem ao Amazonas e nessa viagem inclui no roteiro uma visita à cidade de Parintins, para conhecer o trabalho que a igreja já estava realizando entre os ribeirinhos. Foi uma semana intensa, impactante e transformadora. Retornei para São Paulo com o desejo de voltar ao Amazonas como missionário. No mesmo ano compartilhei dessa visão com meus pastores da Igreja Batista de Água Branca, que prontamente me comissionaram para o ministério.

Quem é o ribeirinho e quais são as suas maiores necessidades?
Sempre que me perguntam descrevo o ribeirinho como alguém moderno de mais para ser índio, primitivo demais para ser branco. O ribeirinho é o um individuo que vive e subsiste fundamentalmente do rio à margem da qual habita, guardando deste uma relação de exclusiva de dependência nas suas necessidades básicas de alimentação, transporte, trabalho e subsistência. Eles têm suas origens étnicas na herança indígena, mas também de diferentes tipos de imigrantes que colonizaram o interior do Amazonas, especialmente nordestinos atraídos durante o século XIX para a extração da borracha. Ele tem uma cultura própria e o entendimento dessa cultura e fundamental para o alcance do mesmo. Vivem basicamente da pesca e do plantio do roçado de subsistência, cultivado nas várzeas dos rios no período de estiagem. A dieta de peixe e de farinha de mandioca é incrementada por verduras cultivadas em hortas, muitas das vezes flutuantes, e carnes obtidas pela caça de animais ou, em alguns casos, pela criação doméstica de gado, suíno ou aves, mantidos em currais flutuantes durante o período das cheias.

E quais são os maiores desafios dos missionários que atuam nas comunidades ribeirinhas da Amazônia?
Acredito que existam dois: o isolamento e o esquecimento. Muitos missionários trabalham em comunidades isoladas do Amazonas. Regiões onde não existe nem meio de comunicação. Todo o acesso é via fluvial, levando horas ou até mesmo dias de viagem para chegar nas comunidades. O esquecimento é por parte da Igreja, das organizações humanitárias e do poder público. Nas oportunidades que tenho em falar desse ministério nas igrejas, sempre pergunto às pessoas o que vem a mente delas quando ouvem a palavra Amazonas? Muitas dizem: rios, animais, índios. Quase nunca ouço “ribeirinhos”. São mais de 30 mil comunidades existentes, e muitas delas sem acesso nenhum ao Evangelho, seja através de uma igreja onde tenha acesso ou com a presença de missionários. A região onde temos trabalhado existem em torno de 600 comunidades. 53 foram alcançadas ao longo dos anos. Faltam recursos e também vocacionados para esse ministério.

Qual a contribuição que nossos jovens têm deixado na Amazônia nesses últimos três anos de viagens? Como você enxerga esse movimento crescente?
A contribuição vem através do grande impacto espiritual e também social que promovemos em cada comunidade que visitamos. Com a ajuda de vocês, trabalhos novos foram abertos e pessoas foram alcançadas pelo Evangelho. O impacto também é social. No período em que Entre Jovens adotou esse trabalho, poços artesianos foram feitos no Amazonas. A água, apesar da abundancia de rios, é um problema de saúde constante. Toda a água é retirado dos rios, sendo muitos desses, no período da seca, impróprio para consumo humano. As crianças são as que mais sofrem com isso, pois problemas de saúde estão relacionados com a água. Entre eles: parasitoses, verminoses e doenças de pele. Os poços que são construídos por vocês transformam a qualidade de vida das comunidades e também dos moradores que vivem fora da comunidade, proporcionando saúde e bem estar social a todos.

Félix, para concluir, que sonhos você ainda tem para a Amazônia, especialmente para os ribeirinhos?
Ver a transformação de vidas através do Evangelho para a transformação de comunidades. As comunidades que foram alcançadas pelo Evangelho nesses últimos anos sofreram uma mudança gigantesca. Os relacionamentos mudaram, a educação se fortaleceu, a saúde melhorou. John Stott dizia:”O evangelismo é o maior instrumento de mudança social. Porque o evangelho muda pessoas, e pessoas mudadas podem mudar a sociedade”.


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